O mercado de terras rurais no Brasil vive um momento de reorganização silenciosa, mas estratégica, impulsionado por fatores como valorização dos alimentos, profissionalização do agro, busca por ativos reais e maior interesse de investidores no campo. Nesse contexto, saber onde a terra está mais valorizada — e onde ela é mais procurada — passou a ser informação-chave para produtores, compradores e investidores. Na prática, os dados ajudam a responder duas perguntas que guiam decisões no mercado de terras: “para onde está indo a atenção do comprador/investidor?” e “quanto, em média, está custando o hectare nessas regiões?”. Com esse objetivo, o Chãozão, maior portal de anúncios de propriedades rurais do Brasil, realizou um levantamento exclusivo a pedido do Compre Rural, reunindo os principais conjuntos de dados.
Criada em maio de 2024 com apenas 140 anúncios, a plataforma goiana Chãozão se consolidou em tempo recorde como a maior vitrine de imóveis rurais do país, somando em 2025 quase R$ 500 bilhões em propriedades anunciadas — uma alta expressiva de 47% em relação aos R$ 340 bilhões registrados em dezembro de 2024.
Nesse contexto, o levantamento realizado pelo Chãozão trouxe dois conjuntos de dados inéditos para 2025:
- o ranking dos municípios mais buscados na plataforma ao longo do ano;
- e o Índice Chãozão Valor do Hectare (ICVH), indicador lançado em 2025 que aponta o preço médio das terras agropecuárias por município.
O cruzamento dessas informações permite uma leitura mais clara do mercado, revelando onde está a liquidez, onde os preços estão mais elevados e quais regiões despertam maior atenção, mesmo com valores ainda mais acessíveis.
O que é o ICVH e por que ele é relevante para o mercado de terras
O ICVH (Índice Chãozão Valor do Hectare) foi criado para preencher uma lacuna histórica no mercado de imóveis rurais: a ausência de parâmetros atualizados e recorrentes sobre o valor das terras no Brasil.
Atualmente, poucas instituições realizam avaliações públicas de terras, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), cujos dados são divulgados de forma anual. No entanto, o mercado rural é altamente dinâmico, e mudanças de preço podem ocorrer em períodos curtos, influenciadas por infraestrutura, logística, clima, demanda produtiva e movimentos de investimento. Segundo Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão, o ICVH surge justamente para acompanhar essa dinâmica. “Como o mercado é dinâmico e, por isso, a valorização e desvalorização em uma determinada localidade pode acontecer em curtos espaços de tempo, com o ICVH passamos a oferecer um parâmetro que acompanhe essas mudanças de forma instantânea”, afirmou a executiva ao Compre Rural. O índice mostra o valor médio do hectare em cada município, funcionando como uma referência para comparação, negociação e análise de mercado — sem substituir avaliações técnicas individuais, mas oferecendo transparência e leitura macro do setor.
Municípios mais buscados no Chãozão em 2025
🔎 Ranking dos municípios mais buscados no Chãozão – 2025 São Paulo lidera em número de municípios no Top 20, refletindo a forte disputa por terras em regiões com infraestrutura consolidada, logística eficiente e proximidade de grandes centros consumidores. Já Mato Grosso aparece como principal polo de interesse produtivo, especialmente ligado à agropecuária de escala.
Quanto custa o hectare nesses municípios: ICVH 2025
Quando os dados de busca são cruzados com o ICVH, fica evidente que interesse não significa, necessariamente, preço elevado. O levantamento mostra onde a terra está mais valorizada e as realidades muito distintas dentro do mesmo ranking.
💰 Valor médio do hectare (ICVH) – municípios selecionados

Análise: o que os dados revelam sobre o mercado de terras em 2025 São Paulo combina alta demanda e preço elevado
Municípios paulistas concentram valores mais altos por hectare, como Campinas (R$ 287,7 mil/ha), Tatuí (R$ 176 mil/ha) e Sorocaba (R$ 159,2 mil/ha). Isso reflete: pressão imobiliária; uso agropecuário mais intensivo; forte liquidez; proximidade de polos industriais e logísticos. Mato Grosso lidera em interesse, mas com grande variação de preços Cidades como Cocalinho, Confresa e São Félix do Araguaia aparecem entre as mais buscadas, mesmo com valores médios bem inferiores aos do Sudeste. Esse movimento indica: busca por escala produtiva; expansão da fronteira agropecuária; entrada de investidores atentos ao custo-benefício. Interesse elevado não significa terra cara O cruzamento dos rankings mostra que municípios muito buscados podem ter valores médios baixos, o que costuma sinalizar: regiões em transformação produtiva; expectativa de valorização futura; maior oferta de áreas disponíveis. Goiás e Minas formam um eixo intermediário Municípios como Uberlândia, Rio Verde e Goiânia aparecem como polos consolidados do agro, com valores intermediários a altos, equilibrando estrutura produtiva, logística e preço. Um novo retrato do mercado de terras brasileiro e o mapa da demanda por terras agropecuárias O levantamento do Chãozão mostra que o mercado de terras em 2025 não se move de forma uniforme. Enquanto algumas regiões concentram preço, liquidez e disputa, outras chamam atenção por potencial produtivo, custo de entrada e perspectiva de valorização. Ao reunir busca e valor do hectare, o ICVH oferece ao mercado um novo nível de leitura, mais próximo da realidade vivida por produtores e investidores, ajudando a entender onde o capital está olhando hoje — e onde ele pode estar amanhã.





